• Patricia Rzezak

O reconhecimento de emoções nos outros e o uso de máscaras faciais



Para vivermos em comunidade e estabelecermos laços sociais significativos precisamos conseguir desvendar o que as pessoas estão pensando ou sentindo, mesmo quando elas não querem nos contar. Você já parou para pensar como o uso de máscaras faciais pode interferir na nossa capacidade de ler o que está se passando na cabeça dos outros?


Nos anos 70, diversos autores se dedicavam ao estudo desta importante habilidade social, que recebeu o nome de teoria da mente. Este conceito retrata a habilidade de uma pessoa compreender seus próprios estados mentais e dos outros e, dessa maneira, predizer suas ações ou comportamentos. Uma fonte de informação para a teoria da mente é a capacidade de reconhecer emoções através das expressões faciais.


Diversos sinais são captados pela nossa percepção visual quando estamos diante de uma outra pessoa. Involuntariamente rastreamos as regiões da boca, nariz, olhos e sobrancelhas, em busca de sinais significativos do que está se passando por dentro da cabeça dela. Uma corrente muito interessante de estudo usa técnicas sofisticadas de rastreio visual (eye tracker) para determinar quais informações faciais são consideradas na identificação de emoções. As medidas de fixações mais comuns são a localização, duração e o primeiro ponto de fixação na face do outro. Também podem ser reconstruídas as trajetórias visuais, unindo os pontos de fixação e os movimentos sacádicos, organizados de modo sequencial.


Estes estudos demonstram que pessoas comuns, sem patologias, tendem a focar-se inicialmente na região central do rosto (boca e nariz) para identificar as emoções nos outros. Após este primeiro momento de fixação, o olhar volta-se para outros pontos da face, variando a sequência de fixação de pessoa para pessoa. A região dos olhos e sobrancelhas são menos consideradas, ainda que algumas pessoas capturem sinais destas regiões em suas avaliações.


As máscaras faciais, portanto, cobrem justamente as primeiras e mais importantes regiões rastreadas quando conversamos com outras pessoas. Por esta razão precisamos agregar dados em nossa percepção de áreas que não são tão comuns para a maior parte das pessoas, o que pode gerar falhas na leitura das emoções e pensamentos dos outros. Você reparou que está fazendo mais esforço para reconhecer o que o outro está pensando durante a pandemia? Sua teoria mente está sendo mais exigida nesse momento?


Para aqueles que tem maior interesse neste assunto, sugiro a leitura de textos que falem sobre o teste Reading the Mind in the Eyes (Lendo a mente pelos olhos). Vale pena aprofundar nos estudos com pessoas com Transtorno do Espectro Autista que reconhecidamente apresentam dificuldades de teoria da mente e na leitura das emoções das outras pessoas.




















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